"Batalhão do pé descalço" [em Memória de Bruno Miguel] II
em Memória de Bruno Miguel
«A expressão "batalhão do pé descalço" refere-se a uma alcunha atribuída a um grupo de soldados portugueses que serviram na Guerra do Ultramar, especificamente em Angola. Essa denominação surgiu devido à forma como eram retratados pela imprensa, e não necessariamente à realidade da sua forma de combater.
Mais detalhes:
Origem da alcunha:
A alcunha "batalhão do pé descalço" foi atribuída pela imprensa portuguesa, e posteriormente pela internet, como uma forma de descrever o grupo de soldados.
Contexto histórico:
O livro "Últimos no Leste de Angola" tenta esclarecer a história e desmistificar essa alcunha, revelando que a alcunha não reflete a sua forma de combater.
Desmistificação:
O autor do livro, Jorge Machado-Dias, busca desmistificar a alcunha e apresentar a visão dos soldados sobre a guerra e a sua experiência.
Repercussões:
A denominação "batalhão do pé descalço" contribuiu para a criação de uma narrativa sobre os soldados portugueses em Angola, que pode não refletir a realidade da sua vida militar.»
Google: [https://www.google.pt/search?q=batalhão+do+pé+descalço] - "Vista geral de IA", [c.2025.05.10]
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«ORIGEM DO APÔDO “BATALHÃO PÉ-DESCALÇO”
Caríssimos camaradas,
Finalmente assinei ontem contrato para a edição do livro, com a Chiado Editora. Houve uma pequena alteração do título, por sugestão do editor, para Últimos no Leste de Angola – Na retirada do exército português em 1975.
Prevê-se que a fase de produção dure quatro meses, embora eu tenha alertado para que seria conveniente ter o livro pronto em meados de Maio próximo. Isto para que o livro possa ser apresentado no próximo Encontro Anual do Batalhão, onde poderá ser vendido em primeira mão, com dedicatórias do autor e a preço inferior ao que irá ter no mercado.
Mesmo no limite da preparação do original para enviar à editora, encontrei na internet aquilo que penso ser a origem do execrável (e sem qualquer verdade) apôdo com que nos presentearam na imprensa portuguesa da altura: Batalhão pé-descalço. Parece-me que tudo começou com uma comunicação do capitão Azevedo Martins, do MFA de Angola, à Assembleia dos Delegados do Exército, ocorrida em Tancos, a 2 de Setembro de 1975, comunicação essa que incluí no final do livro como anexo.
Deixo aqui esse texto:
"(...) Estão presentemente sediados em Nova Lisboa um Comando de Agrupamento, um Batalhão de Cavalaria e um Batalhão de Infantaria. Não existe sequer uma arma pesada, e dos dois Batalhões, o de Cavalaria ainda poderá dispor de pouco mais de 100 homens para o combate, enquanto que o de Infantaria não poderá dispor de ninguém, pois é o Batalhão que veio do Luso e que os próprios soldados do Comando do Agrupamento e do Batalhão de Cavalaria apelidam de "Batalhão do pé descalço”.
Este Batalhão, no seu deslocamento do Luso para Nova Lisboa, foi desarmado e espancados alguns dos seus elementos, incluindo o próprio Comandante. Perderam-se cerca de 4000 armas, rádios, munições, material cripto, tudo em posse da Unita. Foi o próprio Chiwale, 2.º Comandante Militar da Unita, que ordenou esta acção contra o Batalhão, como represália por acções menos correctas das nossas tropas em Sá da Bandeira, das quais trataremos mais à frente. Deste Batalhão, soldados houve que chegaram a Nova Lisboa em cuecas, facto que terá traumatizado esses elementos, mas é agora trauma explorado para forçar a sua retirada imediata para Portugal, embora só tenha... 3 meses de comissão!
Ciganos, que fazem parte dos elementos do Batalhão, logo após a entrada no quartel que lhes foi distribuído, começaram com arrombamentos e roubos. Impossível é, e porque tudo já se tentou, convencer a maioria a pegar em armas, mesmo que seja para desempenhar a também nobre missão de sentinela. Os factos passados com este Batalhão, e com uma "espécie de Companhia" que apareceu em Nova Lisboa, muito contribuíram para uma quebra no entusiasmo com que os poucos mais de 100 homens do BCav vinham desempenhando árduas missões, mesmo fora da sua zona de acção, como foi a evacuação da população de Malange.
A "espécie rara de Companhia" que atrás referi é um bando, não digo armado, por à semelhanca do Batalhão, ter sido também desarmada pela Unita, quando do regresso de uma missão de Henrique de Carvalho para Luanda. O Comandante desta Companhia apareceu em Nova Lisboa escoltado por elementos da FNLA, brancos, armados, pedindo cerca de 2.000 mil rações de combate e alguns milhares de litros de gasolina. Refere-se que o dito Comandante da Companhia não estava sob qualquer coacção! (...)”
O Capitão nem acerta com a arma do nosso Batalhão, designando-o “de Infantaria” e depois... será que esta "espécie rara de Companhia" que refere, era a nossa 2ª Companhia? Todo este arrazoado sem nexo é muito lamentável, ainda para mais, vindo de um capitão do MFA...»
in Jorge Machado-Dias [https://www.blogger.com/profile/12453530705342500063], [https://aretirada1975osultimosdoleste.blogspot.com/2017/01/finalmente-assinei-contrato-para-edicao.html], 26 de janeiro de 2017. [c.2025.05.10 - #porMdQ]
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LIVRO: "Últimos no Leste de Angola, Na retirada do Exército Português em 1975" de Jorge Machado-Dias", Editor: Chiado Books, maio de 2017, em [https://www.wook.pt/livro/ultimos-no-leste-de-angola-jorge-machado-dias/19596597]
«SINOPSE
Este livro reúne as minhas memórias pessoais do período da tropa, que considero ter-se iniciado em Janeiro de 1973, quando dei o nome para a dita e vai até Outubro de 1975, quando desembarquei em Lisboa, vindo de Angola. Obviamente todas estas memórias são enquadradas pelos acontecimentos sociopolíticos da altura, uma vez que não é todos os dias que a nossa vida se cruza com a História do País.
Mas o tema central do livro é o da comissão de serviço do Batalhão de Artilharia 6221/74, a que pertenci, nos cerca de cinco meses que esteve em Angola, de Maio a Outubro de 1975. Com a independência daquela colónia marcada para 11 de Novembro, este foi o período do recrudescimento da guerra civil pelo poder entre os Movimentos de Libertação, causando o pânico nos habitantes brancos do território, desesperadamente em fuga para Portugal. Foi a época da chamada ponte aérea que, de Angola transportou cerca de 350 mil "retornados".
O facto mais marcante dessa comissão foi, sem dúvida, a viagem de retirada, entre as cidades do Luso e de Nova Lisboa. Esta viagem foi marcada, pela quantidade de civis em fuga do Luso que seguiram à nossa guarda, condicionando sobremaneira essa mesma guarda. Mas também pelo assalto das forças da UNITA, para o roubo das armas e munições que transportávamos no comboio, devido ao seu confronto emergente com o MPLA. Por esta ocorrência, traumatizante para muitos dos militares do Batalhão, fomos estupidamente apodados e referenciados na imprensa portuguesa da altura e mais tarde na internet, como Batalhão do pé descalço. A origem deste apôdo consta no anexo final deste livro.»
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[c.2025.05.10 - #porMdQ]
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1975 - 2025 | 50 anos passados sobre a "Ponte Aérea África - Portugal"
Eduardo José Monteiro de Queirós - Monteiro deQueiroz - MdQ - dQz
